Associação de Guias da Chapada dos Veadeiros recebe produto inovador de indústria de calçados do Paraná



Pé de Ferro chega ao Cerrado brasileiro

Aventureiros e trilheiros de plantão já estão acostumados: não é qualquer calçado que aguenta caminhos de 15 Km por muito tempo. Agora imagine andar por horas (e vários dias por semana, regularmente) em trilhas como aquelas da Chapada dos Veadeiros: chão de pedras, sol, águas, morros, montanhas, matos – e muitas cachoeiras. Haja (boa) sola e conforto no pé. O que mais acontece é o tênis descolando, a bota pesando, a botina ganhando furos rapidamente, calos se formando. No dia seguinte, o pé implora por qualquer chinelo. Mas é preciso amanhecer no caminho novamente.

O bombeiro de Brasília Felipe Balthazar, também condutor de visitantes da Associação de Guias do Quilombo Kalunga, em Cavalcante, na Chapada dos Veadeiros, já passou por situações semelhantes, e já viu muito calçado não dando conta de aguentar os passos dos condutores da região localizada no Norte de Goiás, berço do Cerrado e das águas. Dia desses, em 2017, ele foi visitar sua cidade natal, Irati, no Paraná. No encontro com o amigo designer Jaime Matini, viu, na estante de fotografias de produtos feitas pelo amigo, a imagem de uma bota da Pé de Ferro.
“Felipe já começou a narrar a dificuldade da compra e manutenção de equipamentos por parte de condutores Kalungas na Chapada dos Veadeiros. Ele uniu essa percepção com as possibilidades do nosso cliente”, lembra Jaime Antonio Martini Júnior, da Martini Escritório de Ideias.


“Levei a história adiante e conversei com o Alex tanto pela questão de estar realizando algum bem social, mas também com a visão de tornar o produto e a empresa mais conhecida na região, assim somos todos beneficiados, né?. E o melhor é que os dois diretores da Pé de Ferro, Alex e Agnaldo, aceitaram a ideia de braços abertos” conta Martini Júnior.
Sócio e diretor industrial da Pé de Ferro, empresa familiar com mais de 30 anos de história, com sede em Imbituva, no Paraná, Alex Schneider Júlio acolheu a proposta de doação feita por Jaime também como uma postura de integração social-econômica. “Entendemos o quanto estes condutores estão precisando de nosso produto, e também entendemos que isso nos ajuda a construir nossa marca de forma mais ampla no mercado nacional”, explica.

Já a responsável pela presidência da AGQK, Izabel Maia, destaca a real importância da doação para os associados: “Essas botas chegam para fortalecer o associativismo e auxiliar de forma direta no trabalho diário dos nossos condutores. A maioria depende totalmente dessa renda para o sustento, e os valores das diárias básicas não são altos na região. A Pé de Ferro, doando essas botas, está ajudando diretamente a garantir aos condutores associados a possibilidade de realizar seus trabalhos com segurança e o conforto”, conta.
Além do benefício aos condutores, a ação fortalece os turistas no quesito segurança e a Associação enquanto entidade. “Quando conseguimos auxiliar nossos associados, auxiliamos nossa entidade como um todo. Nossa missão é garantir segurança e bom atendimento aos clientes, e sempre buscamos desenvolver isso com cursos, parcerias, doações. A Maioria de nossos associados são de baixa renda, mas com infinitas possibilidades”, destaca a presidente.

Pé de Ferro

A empresa Pé de Ferro foi fundada em 2012, com entre 15 e 20 funcionários. Hoje, depois de apenas cinco anos, ela é responsável por 330 pessoas regularmente contratadas. A produção, que alcançava já 2.5 mil calçados por dia no ano passado, foi duplicada em 2017. |Este ano conseguimos inaugurar nosso novo parque fabril, em Prudentópolis, onde encontramos mais mão de obra e pretendemos diversificar o ramo, com ateliês e produção de cabedais|. Na cidade localizada a 48 Km de Imbituva, um barracão de 3.5 mil metros quadrados sedia o desenvolvimento da companhia. Até o final do ano, serão produzidos em torno de 1 milhão e 800 mil pares.
O sucesso pode ser explicado pela experiência dos sócios no setor calçadista: a família Schneider tem mais de cinco décadas de tradição na produção e comercialização de calçados, quando o bisavô de Alex já atuava no ramo. Ele inclusive deixou de herança uma consertaria para cada filho. O avô de Alex trabalhou com calçados de segurança e foi também caminhoneiro e madereiro. Agnaldo, pai de Alex, foi fundador da Kadesh. Hoje ele comanda, ao lado do filho, a Pé de Ferro.
Se a tradição embasa o conhecimento, a inovação aponta rumos nas estratégias de produção e vendas da empresa. Hoje, cerca de 60% do faturamento provém da linha Eagle, com 10 produtos voltados para o setor de construção civil, como botinas e galochas de plástico. Outra importante linha da empresa, a Wolf, com oito produtos, atende à necessidade de clientes como a Ambev |são calçados para parque fabris, mas que precisam oferecer durabilidade maior. O setor de construção civil tem muito mais rotatividade dos serviços e busca outro produto|, explica Alex.
Finalmente, a Rhino. Com design e características mais específicos, busca oferecer mais que conforto, qualidade e segurança. Junto aos visuais mais arrojados para os calçados distribuidos em  38 modelos que atendem a necessidades de caminhadas, trekking, passeios diversos.

Diálogos para o desenvolvimento

No tripé de atuação, linhas de mercado tradicional, industrial e arrojado. Na missão, a aposta em entendimento e diálogos. |Eu chego cedo na empresa e saio tarde. Acompanho funcionários da fábrica, gerentes de setor, temos conversas, combinamos e atualizamos ordens. Assim mantenho a equipe unida, todos se entendendo mais e assumindo seus importantes papeis do processo de produção e vendas. Temos que ser eficazes mantendo a qualidade e entrega rápida.|, relata o diretor industrial. Com atuação forte e crescente no mercado nacional, a empresa já comercializa no Mercosul e investe também na exportação.

Pé de Ferro em números

Fundação: 2012
Sede: Imbituva, Paraná
Funcionários: 330
Produção: 1.800.000 (um milhão e oitocentos mil pares por ano)
Parque de Prudentópolis: 3.5 mil metros quadrados
Parque de Imbituva: 6.5 mil metros quadrados
Crescimento: aumento de 100% na produção em 2017
Produtos: São três linhas de produção, com 56 modelos de calçados

Encontre:

Pé de Ferro: http://www.calcadospedeferro.com.br/

Martini Escritório de Ideias: https://www.facebook.com/martiniideias/

(por Leda Malysz – editora Broto de Letra)

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